
How can you walk away from something, and then come towards it?
Jude abriu os olhos cansados pelo o que parecia ser a terceira vez em poucos minutos. Apenas que, agora seus membros estavam rígidos e havia uma pressão agonizante em seu peito. A incapacidade de sair daquele estado ou simplesmente falar alguma coisa foi o que despertou um pânico imediato no garoto. Se sentia preso dentro da própria consciência, caindo lentamente em um buraco igual ao de Alice.
Build my fear of what's out there, and cannot breathe the open air.
Já havia escutado muitas pessoas tentando descrever a experiência do ponto de vista teológico-religioso. Alguns culpam fantasmas, demônios ou espíritos malignos como a causa, mesmo não existindo nenhuma prova científica disso. E Jude sabia que era mais do que sua hiperatividade e ansiedade fodendo com seu sono e paz.
Whisper things into my brain, assuring me that I'm insane.
Correu os olhos por um cômodo mal iluminado. Não era seu quarto, muito menos o de Isabel. Parecia estar de volta ao convento onde cresceu na Escócia, reconheceria o local sem dificuldade nenhuma, mesmo depois de anos. Ótimo, seu desgraçado. Agora está alucinando, pensou. As paredes do quarto pareciam podres e prestes a desmoronar, o chão completamente imundo estava repleto de brinquedos de porcelana, em sua maioria rachados. Tábuas de madeira mal pregadas cobriam a única janela do cômodo e a cama onde Jude se encontrava estava afundando com seu peso.
They think our heads are in their hands, but violent use brings violent plans.
Tentou mesmo assim acalmar sua respiração, o peito ardente parecia estar a minutos de explodir como uma granada. O maxilar estava trincado e sentia seus membros ainda congelados. Pensou em Isabel, como ela saberia o que fazer se estivesse presente — como ele não estaria preso nesse terror se ela estivesse presente.
Dream the same thing every night, I see our freedom in my sight.
A atenção do escocês voltou ao quarto quando ouviu um arranhão agudo, como unhas em uma lousa escolar. O som ecoava pelo cômodo repetidamente de modo torturante, e o responsável por isso era um garotinho que estava sentado no fétido piso de madeira, segurando um giz vermelho. A criança o deslocava devagar, dando a impressão de que ainda estava aprendendo a escrever, mas ainda sim deixou ali marcado sua mensagem "Come home, Jude. We're waiting for you."